Amava os poetas
como quem agoniza,
drenando as vertentes
do mistério
com suma sabedoria,
respirava sílabas sincopadas
quase a dizer que a vida
é espírito a se estreitar
nas brumas da carne,
que a morte não repara
todos os crimes cometidos,
que as flores não esperam
o pólen para serem criadas.
Amava os poetas
com ardor de infâmia,
crucificando versos
na via crucis do êxtase
sempre a estreitar
nos braços o frio que fecunda
aquilo que um dia
será pleno antes mesmo de nascer .
Amava os poetas
como quem ama a audácia
regenerando os vestígios
do que permanece inominável,
curvando-se diante
do ígneo das palavras
a serem extintas
e condenadas à salvação.
Amava os poetas
para condená-los a exumarem
o destino das coisas
dispostas a serem inventadas
e a se fazerem novas
nos fósseis do tempo.
































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