terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

A Sombra da Agulha


 


Resenha de Fernando Andrade : 

Livro de ficção, A sombra da agulha, metaforiza a arte da escrita em ponto e fuga ou não na cicatrização da ferida.
Como uma ferida aberta aqui podemos figura-la metáfora, a vida nos expõe a isto. A agulha tenta fechá-la com linhas de escrita. Mas a escrita também suporta a dor, às vezes ela é o cerne da dor. O Inapetente não sente pena da sua ferida, pois não tem desejo para cicatrizar seu ego. Em novo livro de difícil rotulação, Cleber Pacheco, em A sombra da agulha, editora Litteralux, destila uma escrita híbrida entre a ficção e o ensaio poético e filosófico. O desejo do Inapetente, ou sua fuga para a sublimação onde obra e vida se sugestiona para uma certa complexidade existencial com as duas partes do livro, o coro e o guiado, na qual, funcionam como complementares, sendo que uma tem uma voz plural, multifacetada. Já a parte guiada tem a figura do rastreador, um leitmotiv, que não corrige imposturas, mas serve como elemento de sinalização e procura, por algo dentro do próprio corpo da escrita perdido. O autor é hábil em seccionar o tempo cronológico, de um tempo mítico, onde palavras são desígnios dos deuses. Para isto o livro precisaria não se comparar a elegibilidade dos Deuses, e sim preparar a condição humana para a inexorabilidade da morte.

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